Embargada obra de antena de celular no Jardim Diana

Moradores do Jardim Diana são surpreendidos com obras para instalação de antena de telefonia celular e realizam manifestação

Foi uma semana intensa para os moradores do residencial Jardim Diana, com a tentativa de uma operadora de telefonia celular para instalar uma antena em um terreno localizado no alto da rua Leopoldo Dietrich. A obra iniciou sem qualquer placa de identificação, sem engenheiro técnico e sem tapumes. Para surpresa dos moradores, uma máquina retroescavadeira fez um enorme buraco sem qualquer segurança de isolamento no local.

A empreiteira que estava no local foi questionada e inicialmente alguns moradores receberam a informação de que no local seria construído um sobrado. Entretanto, qual não foi a surpresa de que na verdade seria instalada uma antena de 60m de altura. Aos poucos, e em apenas uma hora, o grupo de WhatsApp dos moradores teve mais de 200 mensagens sobre o “empreendimento”. No final do dia 5 (quarta-feira), o buraco já havia sido escavado e o local continuava sem qualquer controle de acesso, podendo ocasionar algum acidente com as crianças que brincam na rua diariamente, deixando os residentes indignados com a situação.

Na noite do mesmo dia, aproximadamente 40 moradores reuniram-se para discutir o assunto na busca de uma solução sobre o problema que poderia afetar toda a vizinhança, a segurança, a saúde e a desvalorização dos imóveis locais. Foram diversos questionamentos e sugestões propostas para que no dia seguinte iniciasse um movimento de protesto contra a instalação do equipamento “indesejado”.

Em apenas um dia (6/12) a comunidade unida movimentou todo o residencial e conseguiu reunir mais de 200 assinaturas do abaixo-assinado contra a instalação da antena. À tarde, foi também foi realizada denúncia no Ministério Público. A PM foi acionada e teve uma atuação bastante equilibrada e informativa, dirimindo algumas dúvidas da comunidade. Com o resultado da movimentação da comunidade, a empreiteira não deu continuidade a obra, embora alegasse que a documentação para a realização dela estivesse toda em dia e regular.

Terreno usado sem autorização

 

Cleiton teve seu terreno utilizado sem autorização

Além das irregularidades apontadas pelos moradores, outra surpresa foi do proprietário do terreno localizado ao lado do local onde foi feito o buraco da base para a instalação da antena. Cleiton Mariann foi avisado do fato e deslocou-se até o terreno de sua propriedade. Ao chegar, viu uma montanha de barro que havia sido colocado na sua área. “Não recebi contato algum para que isso fosse permitido. Colocaram uma montanha de barro em meu terreno, deixando inclusive em risco o vizinho da casa localizada nos fundos do meu terreno que é bem mais baixo do que o meu. Se essa terra desliza pode acontecer um grave acidente”, reclamou Mariann. Como resultado, o proprietário cercou a sua área e não permitiu mais qualquer ação por parte da empresa no local. 

Preocupação com a saúde

Além das questões de segurança e legalidade da instalação da antena, os moradores estão muito preocupados com a relação a saúde. Residentes bem em frente ao terreno, o casal Marcia e Marcelo Baumer, seguem uma vida com muitos cuidados necessários em seu dia a dia, pois seu filho Vinícius, é portador de necessidades. “Fomos orientados pela nossa médica para desligarmos o sinal da rede wifi, assim como, os aparelhos celulares, sempre que nosso filho estiver próximo destes aparelhos, pois as ondas emitidas por eles, interfere diretamente na saúde dele,” afirma o pai. “Se já temos todo esse cuidado para poder dar qualidade de vida ao nosso filho, imagina agora se instalarem uma antena que emitirá uma quantidade muito maior de frequência de ondas que afetará diretamente ele. Que tipo de empresa faz isso sem consultar e procurar saber informações com a comunidade do seu entorno?”, diz ele indignado.

Segurança colocada à prova

 

Obra foi embargada pela SAMA por falta de documentação

Outra grande preocupação dos moradores é com relação a segurança. Devido as mudanças climáticas, são muitos os casos em que temporais tem danificado redes elétricas e de telefonia. “Essa antena irá ficar ao lado da minha casa, mas, e se um vendaval fazer com que ela caia em alguma das casas ao redor, ou mesmo, se uma pessoa for atingida, como isso irá ficar? Já vimos esse filme antes. Parece que não pensam e não tem preocupação alguma com as pessoas,” diz Francine Bachtold.

Órgãos públicos acionados e obra é embargada

Fiscais da SAMA embargaram a obra por falta de documentação

Na sexta-feira (7), diversos órgãos competentes já haviam sido acionados como o CREA, SEMA, ANATEL, DEFESA CIVIL, TRÂNSITO e novamente a POLÍCIA MILITAR. A empreiteira alegava que a documentação estava toda legalizada e permitia a realização da obra. Os moradores conferiam a documentação com advogados presentes no local. Os caminhões que deveriam descarregar o material da construtora não conseguiram local apropriado.  Enquanto a PM fazia consultas sobre a documentação da empresa, a fiscalização do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina chegou ao local. Após solicitar diversos documentos, irá fazer uma análise para dar um parecer na próxima semana.

Após a chegada do CREA/SC, foi a vez da fiscalização da Secretaria da Agricultura e Meio Ambiente da prefeitura de Joinville. Foram solicitados e conferidos todos os documentos necessários para a realização da obra. Foram apontados dois documentos ausentes:  o projeto da antena e de terraplanagem. Dessa forma a obra foi embargada e, só após esses documentos forem apresentados, a obra poderá ser reiniciada.

No final do dia, os equipamentos foram recolhidos do local. O caminhão com equipamentos e o pessoal da empreiteira foi embora, aguardando instruções da empresa contratante, que em momento algum enviou representante ao local para acompanhar ou dar maiores explicações sobre os fatos.

Por enquanto a comunidade ganha tempo para seguir na busca de uma alternativa judicial que possa parar por completo ou momentaneamente a instalação do equipamento no local.

 

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Um comentário

  1. Eu que moro no interior de São Paulo oferecia e consegui autorização para colocar Antes em uma área rural onde dezenas de famílias serão beneficiadas não obtive nem resposta isso porque séria doado a área legalmente

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